Dona morte devolve o Saramago …
junho 19th, 2010 § Deixe um comentário
Estava procurando pelo trecho final de “Caim” e acabei encontrando essa matéria da folha online
Escritor José Saramago acusa Bento 16 de “cinismo”
14/10/2009 – 19h00
da Efe, em Roma
O escritor português José Saramago chamou o papa Bento 16 de “cínico” e disse que a “insolência reacionária” da Igreja Católica precisa ser combatida com a “insolência da inteligência viva”
“Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar seu neomedievalismo universal, um Deus que ele jamais viu, com o qual nunca se sentou para tomar um café, mostra apenas o absoluto cinismo intelectual” desta pessoa, disse o Nobel de Literatura em um colóquio com o filósofo italiano Paolo Flores D’ArcaisNo colóquio com Flores D’Arcais, Saramago afirmou que sempre foi um ateu “tranquilo”, mas que agora está mudando de ideia.
“As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só tem interesse no poder”, afirmou.
Segundo Saramago, a igreja não se importa com o destino das almas e sempre buscou o controle de seus corpos.
A visita de Saramago a Roma acontece a um dia do lançamento do seu mais novo livro “Caim”, no qual volta a tratar da religião
Saramago::Sangue
agosto 19th, 2009 § Deixe um comentário
Essa semana definitivamente sem tempo e desorganizada. Então para não deixar de postar fica aí trecho do texto “O sangue em Chiapas” de José Saramago.
Sim, eu leio o blog do Saramago, não sou metida a cult, mas leio seguido. Às vezes não entendo muito, outras vezes gosto tanto que venho compartilhar.
Às vezes o sangue monta a cavalo e fuma cachimbo, às vezes olha com olhos secos porque a dor lhos secou, às vezes sorri com uma boca de longe e um sorriso de perto, às vezes esconde a cara mas deixa que a alma se mostre, às vezes implora a misericórdia de um muro mudo e cego, às vezes é um menino sangrando que vai levado em braços, às vezes desenha figuras vigilantes nas paredes das casas, às vezes é o olhar fixo dessas figuras, às vezes atam-no, às vezes desata-se, às vezes faz-se gigante para subir às muralhas, às vezes ferve, às vezes acalma-se, às vezes é como um incêndio que tudo abrasa, às vezes é uma luz quase suave, um suspiro, um sonho, um descansar a cabeça no ombro do sangue que está ao lado. Há sangues que até quando estão frios queimam. Esses sangues são eternos como a esperança.

