Amor e preconceito
novembro 4th, 2011 § Deixe um comentário
“O homem deve se envergonhar de não amar.
O resto é preconceito.”
Carpinejar
O preconceito e o machismo brazuca
outubro 31st, 2009 § Deixe um comentário
30.10.09
por Marcelo Paiva, Seção: Crônica 13:53:21.Há uma semana, uma estudante do 1º ano de Turismo do período noturno da unidade da Uniban de São Bernardo do Campo teve que sair da faculdade escoltada pela PM.
Motivo, vestia uma minissaia vermelha. Iria a uma festa depois.
Ela foi xingada e acuada por um grupo de estudantes, quando subia uma rampa. Ficou trancada numa sala com a ajuda de um professor, que lhe deu um avental e chamou a polícia.
Apesar de ter acontecido no dia 22, só ontem ganhou repercussão, já que as imagens do tumulto foram postadas no YouTube
“Ela veio com um vestidinho rosa da pesada, daqueles que se usa com calça legging, só que sem a calça”, disse o estudante de Matemática Pedro Adair, de 23 anos, para o Estadão. “Os três andares da faculdade subiram atrás dela. O pessoal parecia estar no tempo das cavernas, só faltou arrastá-la pelos cabelos”, disse.
O fato parou a faculdade. Uma aluna afirmou que os colegas ficaram gritando “puta” para ela. O coral de gritos de “puta” a acompanhou até que deixasse o prédio.
Uma catarse masculina exigiu à força que os padrões que eles consideram corretos fossem respeitados. Submeteram uma mulher ao humilhante papel de obedecer.
No dia seguinte, não houve manifestação ou passeata. O caso seria esquecido se não causasse alvoroço na internet. Garanto que suas colegas, em protesto, não apareceram todas de minissaia nas aulas seguintes. Ao contrário, muitas delas devem ter dito: “Essa puta mereceu.”
Há um traço conservador da sociedade brasileira que é fácil de detectar e difícil de entender. Diferentemente do que acontece nas praias da Europa, aqui as mulheres não se atrevem a fazer topless. As poucas que tentaram foram expulsas. O Brasil ainda é um dos poucos países do mundo em que o aborto é crime. E garanto que a maior parte das mulheres apoia a proibição.
“Ela é um poço de bondade. E é por isso que a cidade vive sempre a repetir: Joga pedra na Geni, joga pedra na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é boa de cuspir, ela dá pra qualquer um, maldita Geni!”
+++
Há 4 dias, uma adolescente da CALIFÓRNIA foi estuprada coletivamente por alguns colegas da escola, numa festinha regada. As testemunhas que assistiam não fizeram nada para impedir.
Seu corpo foi jogado numa mesa de piquenique no parque vizinho e abandonado. A polícia só a encontrou desacordada, casualmente. Prendeu 5 moleques. Um deles tinha 14 anos. A repercussão negativa do caso foi tamanha, que talvez eles peguem prisão perpétua.
No dia seguinte, a comunidade, pais e alunos da escola fizeram uma passeata em protesto contra a violência. No coments…
Preconceito, de novo.
junho 23rd, 2009 § Deixe um comentário
Nas minha andanças pela web encontrei o Blog do Sakamoto.
Leonardo Sakamoto, além de autor do blog,
“é jornalista e Doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Cobriu a guerra pela independência em Timor Leste e a guerra civil angolana. Foi professor do curso de jornalismo da ECA-USP e trabalhou em vários veículos de comunicação, tendo recebido prêmios na área de jornalismo e direitos humanos, como o Vladimir Herzog e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Empreendedor social Ashoka, é coordenador da ONG Repórter Brasil e seu representante na Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae).”

Foi nesse blog que encontrei o texto “ Então é verdade, no Brasil é duro ser negro?“. Nele Sakamoto escrev sobre
” o texto de uma das melhores e mais competentes repórteres do país, Eliane Brum, da revista Época, no qual conta como a mais importante atriz de Moçambique, Lucrécia Paco, sofreu preconceito em um shopping da capital paulistana.
Mulher e negra vítima de preconceito no Brasil, de tão recorrente, nem parece mais notícia. Infelizmente. Como remédio a isso, o texto de Eliane nos faz sentir vergonha.”
E ainda sobre
” um post infeliz do blog de Paulo Nogueira – jornalista tarimbado, com uma história de sucesso pelas maiores redações do país, formador de opinião e correspondente da revista em Londres.
Comentando sobre a história de uma garota belga que afirma ter solicitado a um tatuador três estrelas no rosto e, após tirar um cochilo, acordou com 56 (o tatuador nega e diz que o pedido foi da cliente)”


.
.
.
.
.
.
Essas são diferentes formas de preconceito, mas infelizmente, elas ainda existem e não adianta tapar o sol com a peneira. A maioria dos brasileiros são preconceituosos sim, já mostrei dados sobre isso num post antigo. Qualquer coisa confere aí no blog.
Abraço e juízo
Clarissa
.
.
PS:: sim rolou um ‘ctrl+c’ ‘ctrl+v’, estou sem tempo de escrever, mas queria me manifestar porque achei os textos interessantes. O importante é divulgá-los. E o blog tb muito bom!!!
Santo de casa
maio 5th, 2009 § Deixe um comentário
Os meus últimos dias têm sido bem corridos, além dos compromissos diário, como facul e estágio e suas obrigações, mudei de um apartamento relativamente grande para um kitnet e está sendo um pouco demorado encontrar lugar pra tudo.
Então ligo o rádio e ficou organizando as coisas, descartando outras e ouvindo música como companhia.
Hoje parei pra ‘escutar’ duas. Elas são de bandas gaúchas que eu nunca dei muita bola, sei lá por qual motivo exato, Bibê ou Balde e Superguidis. Talvez por serem gaúchas, por estarem próximas dei menos importância. Mas hoje elas já conquistaram espaço na cena musical brazuca e também aqui no meu mp3.
Primeiro veio “Mesmo que mude”, da Bidê ou Balde, música que eu já conhecia, mas nunca tinha ‘escutado’. É bonitinha e verdadeira …
Acontece sempre, em todo lugar, com todo mundo e se não aconteceu com você, provavelmente, ainda vai …
Mesmo que Mude
Composição: Carlinhos Carneiro / Rodrigo Pilla
Ela vai mudar,
Vai gostar de coisas que ele nunca imaginou
Vai ficar feliz de ver que ele também mudou
Pelo jeito não descarta uma nova paixão
Mas espera que ele ligue a qualquer horaPara conversar
E perguntar se é tarde pra ligar
Dizer que pensou nela
Estava com saudade
Mesmo sem ter esquecido queÉ sempre amor, mesmo que acabe
Com ela aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passouEle vai mudar,
Escolher um jeito novo de dizer “alô”
Vai ter medo de que um dia ela vá mudar
Que aprenda a esquecer sua velha paixão
Mas evita ir até o telefonePara conversar
Pois é muito tarde pra ligar
Tem pensado nela
Estava com saudade
Mesmo sem ter esquecido queÉ sempre amor, mesmo que acabe
Com ele aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passouPara conversar
Nunca é muito tarde pra ligar
Ele pensa nela
Ela tem saudade
Mesmo sem ter esquecido queÉ sempre amor, mesmo que acabe
Com ele aonde quer que esteja
É sempre amor, mesmo que mude
É sempre amor, mesmo que alguém esqueça o que passou
Depois dessa música, dos auto-falantes do meu rádio, escutei um cara lamentando “Ah, se as pessoas viessem com manual de instruções..”
Achei legal, essa parte me chamou atenção , e também só ouvi essa parte porque a letra é bem pequenina, mas me identifiquei. Lembrei do dia em que escrevi o meu manual, baseada em um texto da Martha Medeiros sobre o mesmo tema.
Claro que mostrei à ninguém, mas mesmo assim tenho certeza que de nada adianta, tem sentimentos que a gente não controla, eles apenas acontecem quando bem entendem. Assim, como a felicidade vêm e vão ….
Então fica ai Superguidis, como ” O manual de instruções”.
(o vídeo é caseirão, mas vale só pra conhecer o rockzinho dos caras)
O Manual De Instruções
Chorei, como criança perdida da mão da mãe no centro
Achei que o mundo fosse acabar
Não há nada pra temer eu sei
O problema é botar isso na cabeça dura que não entra nadaAh, se as pessoas viessem com manual de instruções
Ah, se as pessoas viessem com manual de instruções
Abraço grande e, por favor não façam como eu, conheçam apesar e além das aparências.
Clarissa
Preconceito racial no Brasil
janeiro 16th, 2009 § Deixe um comentário
Para aqueles que teimam em acreditar que não existe mais preconceito no Brasil reproduzo aqui uma reportagem da Folha Online, do dia 23.11.2008, sobre os resultados de uma pesquisa realizada pelo instituto Datafolha sobre preconceito racial no Brasil.
Diminuem manifestações de preconceito e racismo “assumido” entre brasileiros
ANTÔNIO GOIS, da Folha de S. Paulo, no Rio
Seja por mero pudor ou realmente por uma questão de consciência, os brasileiros, hoje, se mostram menos preconceituosos do que há 13 anos. Ao repetir neste ano perguntas feitas em 1995, o Datafolha identificou que caiu significativamente o grau de concordância da população com frases como “negro bom é negro de alma branca” ou “se Deus fez raças diferentes, é para que elas não se misturem”.
O que não mudou de lá para cá foi a constatação, aparentemente contraditória, de que o brasileiro reconhece o preconceito no outro, mas não em si mesmo. Ou, como já definiu a historiadora da USP Lilia Moritz Schwarcz, “todo brasileiro se sente como uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados”.
Para 91% dos entrevistados, os brancos têm preconceito de cor em relação aos negros. No entanto, quando a pergunta é pessoal, só 3% (excluindo aqui os autodeclarados pretos) admitiram ter preconceito.
Foi igualmente alto (63%) o percentual de entrevistados que afirmaram que negros têm preconceito em relação a brancos, mas somente 7% (excluindo os brancos) dizem ter, eles mesmos, algum preconceito.
Também caiu (de 22% para 16%) a proporção de brasileiros que se sentiram discriminados por sua cor. Esse percentual, no entanto, chega a 41% entre autodeclarados pretos.
Para Schwarcz, o que mudou de 1995 para 2008 foi a popularização do discurso politicamente correto. Ela, no entanto, demonstra algum ceticismo com relação ao menor percentual de concordância com afirmações preconceituosas.
“As coisas mudaram, mas nem tanto. As pessoas reagem mais às frases preconceituosas, como se já estivessem vacinadas. É positivo ver que há maior consciência, mas é preocupante constatar que a ambivalência se mantém. Parece que os brasileiros jogam cada vez mais o preconceito para o outro. ‘Eles são, mas eu não’.”
Também historiador, Manolo Florentino, da UFRJ, tem opinião semelhante. “O que cresceu foi sobretudo o pudor. Para tanto deve ter colaborado, em alguma medida, a disseminação da praga politicamente correta. Se for este o caso, estaremos mais uma vez frente à constatação de que nosso racismo é envergonhado, que, afora casos patológicos, o brasileiro só expressa seu preconceito racial através de carta anônima.”
Constrangimento
O sociólogo Marcos Chor Maio, da Fiocruz, faz leitura mais otimista. O fato de os brasileiros só admitirem preconceito nos outros -o que pode ser visto como hipocrisia-, para ele, é um valor: “As pessoas têm vergonha de parecerem racistas, cria-se um constrangimento enorme. Isso é ótimo”.
Fulvia Rosemberg, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas e coordenadora do programa de bolsas da Fundação Ford, vê na ampliação do debate sobre a questão racial, provocado principalmente pela discussão das cotas em universidades, uma das causas para a queda do preconceito.
“Isso não acirrou a oposição branco/negro e parece ter desenvolvido maior consciência e atenção às relações raciais.”
A socióloga Fernanda Carvalho, do Ibase e uma das coordenadoras do movimento Diálogos Contra o Racismo, concorda: “Não deixamos de ser um país com forte racismo, mas evoluímos. Não se discutia tanto a questão do negro. Hoje, as pessoas estão compreendendo melhor o tema e têm mais consciência de que o preconceito é um valor negativo”.
Yvonne Maggie, antropóloga da UFRJ, tem opinião diferente sobre o racismo no país.
“Os pretos se sentem mais discriminados, mas são eles também os que mais acreditam no esforço pessoal. Somos uma sociedade que tem optado por não marcar o sentimento da vida a partir da raça”, diz ela, citando o dado de que 71% dos pretos concordam que, se um pobre trabalhar duro, melhorará de vida. Entre brancos, o percentual é de 67%.
Maggie diz também que o aumento da escolaridade nos últimos anos deve ter contribuído para a queda no preconceito. “Pode até ser que o debate sobre raça tenha influenciado, mas não é possível concluir isso com base na pesquisa. O que temos de concreto nesses últimos anos foi que houve uma melhoria radical do sistema educacional no Brasil”, diz a antropóloga.
Segundo o Datafolha, quanto maior a escolaridade, menor a manifestação de preconceito. Entre a população com nível superior, apenas 5% concordam que negros só sabem fazer bem música e esporte. Entre os que não passaram do fundamental, a proporção é de 31%.
A idade do entrevistado também influencia. Entre os que têm 41 anos ou mais, 27% concordam com a frase sobre negros na música e esporte. Entre os mais jovens (16 a 25), a proporção cai pela metade: 13%.
Preconceito
janeiro 16th, 2009 § 1 Comentário
Um desabafo:
Apesar de eu ser uma futura jornalista sou contra a liberdade de expressão. E meu motivo pode ser considerado muito simples, mas causa grande efeito na sociedade (em que vivemos e nas próximas): é a continuidade dos preconceitos (modo de sentir ou pensar arraigado no espírito de quase toda uma população, determinando simpatia ou antipatia para com indivíduos, etnias, raças ou crenças*)
Imagine viver em uma sociedade em que ninguém diz que “negros e índios são preguiçosos por natureza”, nem expressões como “lado negro”, ” a coisa ficou preta”, ” ele a mulherzinha”, são proferidas. Como, vivendo nessa sociedade imaginária, uma criança adquiriria tais preconceitos (conceito formado antecipadamente e sem fundamento razoável*)?
Até parece simples, não? Basta não pronunciar algumas frases preconceituosas. Mas essa é uma questão cultural e cultura se muda com educação e respeito. Só que as pessoas responsáveis em passar educação e respeito a diante não são aquelas que tem seus preconceitos todos formados?
Isso é uma bola de neve, mas poucos se importam em para-lá.
Hoje, lá do outro lado do planeta, pessoas estão se matando devido as crenças cultuais, que geram ainda mais preconceitos. E, do lado de cá, a maioria das pessoas estão apenas assistindo, algumas ainda os criticam, mas também baseadas em uma cultura completamente diferente que, assim como a dos que estão em guera, não compreende outras.
Preconceito é uma questão cultural e cultura que se adquire em casa com a família, na escola.
Então caros colegas, acreditem, tem gente que não estuda por não ter oportunidade e não por terem baixa capacidade intelectual, como acreditam alguns de vocês.
Dados estatísticos do Mec comprovam que os alunos que ingressam na universidade de uma forma não tradicional, seja por vagas reservadas a cotas raciais ou pelo ProUni (baixa renda), realmente tem o aproveitamento mais baixo que os outros acadêmicos apenas nos dois primeiro semestres. Depois desse período a média desses alunos se iguala os demais, demostrando assim que passando a fase de adaptação tais alunos são tão capazes quando os demais.
Não estou aqui defendendo lado algum, apenas usei como exemplo um dos inúmeros preconceitos que existem. E o escolhi, pois estou cansada de ouvir gente que acredita que todas as pessoas tem oportunidades iguais e a única diferença é que existem umas que preferem desperdiçar tais oportunidades.
Por isso deixo aqui a canção Problema Social, de Seu Jorge.
*Fonte dicionário Gama Kury da Língua Portuguesa, supervisão de Adriano Gama Kury, ano 2002