Doí todos os dias
julho 6th, 2009 § 1 Comentário
Hoje eu saí pra caminhar e vi uma mulher com duas ou três crianças recolhendo material reciclável em lixeiras. Isso dói. E já que não consigo resolver, eu queria realmente me importar menos, mas não consigo.
Saber que uns tem tanto e outros tem tão pouco, dói.
Quando voltei pra casa estava tocando na rádio universitária da cidade onde moro, a música Porra Mano, de Zé Geraldo. Confesso que a sonoridade não me agradou, quase desliguei o rádio, mas prestei atenção na letra. E foi isso que me levou a escrever aqui
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Porra Mano
Zé Geraldo
Eu acredito piamente em Deus
Não consigo mais acreditar nos homens
Eu acredito piamente em Deus
Não consigo mais acreditar nos homens
…O homem
Outrora, único animal inteligente
Se especializou em fazer guerras
Invadir, matar, destruir
Tanto faz
Pelas ruas do oriente
Numa esquina do ocidente
Tanto faz
Se mata em nome de Deus
Se morre em nome da pazEu vi no Jornal e na televisão
Um cidadão formado numa grande
Universidade
Alto QI
Eu vi
No jornal e na televisão
O cara mostrando sua última invenção
Uma arma moderna com alto poder de
Destruição
Pra que? Pra matar seu próprio irmãoEu acredito piamente em Deus
Não consigo mais acreditar nos homensCada dia mais e mais
Mulheres, crianças, velhos e moços
Defendem seu pão
Arrastando carroças pelas ruas do país
E bem aqui embaixo do nosso nariz
Um pobre coitado dormindo na rua
É atacado e morto a paulada
De tocaia em plena madrugada
Porra mano!
Porra mano!Let it be
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Pra quem quiser conhecer, o site do Zé Geraldo é http://zegeraldo.uol.com.br/
“Larguei tudo e fui cantar Bob Dylan, Rolling Stones, Ataulfo Alves e outros, durante oito anos de baile na noite paulistana. A banda Thoró acabou sendo a mais marcante na minha história de bailes. Quando a gente tocava Creedence Clearwater Revival, tremiam os salões da periferia de Sampa. Os anos de baile me deram segurança pra levar minhas músicas aos palcos dos festivais. Aquele ZeGê, menino medroso que se escondia de vergonha atrás dos amplificadores dos primeiros bailes, já não tinha medo de assumir sua identidade: Zé Geraldo” Trecho da historia do cara, copiado do site do artista..
“Zé Geraldo desenvolve um trabalho muito bonito e profundamente sincero. Versos fortes e melodias claras ilustram este trabalho.” Ronaldo Bôscoli (Revista Amiga) .
“Um mineiro que mistura música caipira com o rock e o folk, refinadamente.” A Tribuna (Vitória – ES)
PS: Eu não acredito piamente em Deus. E estou tentando acreditar na raça humana.
Contrastes
fevereiro 11th, 2009 § Deixe um comentário
Tenho tenho arquivado nos rascunhos aqui do blog um post sobre a expressão “O mundo não é bom Sebastião”. Sim, sim, eu sei que a música do Nado Reis diz que o mundo É bom, mas eu não acredito. Alias, o próprio Reis, na canção seguinte para a filha Zoé, apresenta duvidas: “não sei se o mundo é bom, mas ele ficou melhor quando você chegou”. Entaõ não acho tão absurdo mudar um pouquinho essa expressão.
Mas voltando ao assunto, eu ia escrever sobre as contradições que fazem o mundo não ser bom, só que encontrei a música Contrastes, de Luiz Melodia, e desisti de escrever. Seriam linhas e linhas (esse ‘quase post’ foi grande) sobre algo que está muito bem escrito na canção. Então deixo ela pra você conferir.
Contrastes
Existe muita tristeza
Na rua da alegria
Existe muita desordem
Na rua da harmonia
Analisando essa historia
Cada vez mais me embaraço
Quanto mais longe do circo
Mais eu encontro um palhaço
Cada vez mais me embaraço
Analisando essa historia
Existe muito fracasso
Dentro do largo da glória
Analisando essa historia
Cada vez mais me embaraço
Quanto mais longe do circo mais eu encontro um palhaço
O vídeo é caseirão, mas vale para ouvir a música
Luiz Carlos dos Santos, Luiz Melodia, nasceu no morro do Estácio, Rio de Janeiro, no dia 7 de Janeiro de 1951. Luiz Melodia passou a infância ouvindo a viola de quatro cordas de seu pai Oswaldo
Melodia passou a adolescência compondo e tocando sucessos da Jovem Guarda e Bossa Nova, com o grupo “Instantâneos”, formado com amigos. Esta experiência, juntamente com a atmosfera em que vivia – do tradicional samba dos morros cariocas -, resultaram em uma mescla de influências que renderam a Luiz Melodia um estilo único.
Após deixar o Exército, passou a se dedicar à carreira de cantor e compositor
O nome Melodia veio do pai, Oswaldo Melodia, que queria vê-lo formado Doutor
Luiz Melodia acabou por chamar a atenção de um assíduo freqüentador do Morro do Estácio, o poeta Wally Salomão, e de Torquato Neto. E através de Wally, Gal Costa acabou conhecendo um de seus compositores prediletos, resultando na gravação de “Pérola Negra”, no disco “Gal a Todo Vapor”, de 1972.
Atualmente Luiz Melodia está trabalhando nas composições de seu novo trabalho, e colabora com o documentário sobre sua vida, com direção de Karla Sabah, do qual foram extraídos os vídeo depoimentos disponíveis em seu site oficial.
Fonte: http://www2.uol.com.br/luizmelodia/frame.htm?pagina=discografia
