Uma cena corriqueira

novembro 20th, 2011 § Deixe um comentário

Gostei do início do texto da Cah  Morandi, que diz::

Cai uma chuva gelada por trás da vidraça. Os dedos dos pés impacientes dentro da meia de lã, as mãos se aquecendo com a xícara de café, os lábios sendo mordiscados com os dentes, um pijama velho, um moletom jogado em cima, os cabelos bem amarrados, os olhos pequenos e perdidos acompanhando o desenho que água faz no vidro da janela…

(aqui o texto completo)

Reeditando do www.clarissadutra.tumblr.com

Para todos … nem tudo, Cah Morandi

novembro 6th, 2011 § Deixe um comentário


Nem tudo que é vento voa
Nem tudo que é tempo passa
Nem tudo que é medo apavora
Nem tudo que é esperança consola
Nem tudo que é cansaço desanima
Nem tudo que é só isola
Nem todo amigo falha
Nem todo amor fica
Nem todo fogo alastra
Nem toda fome mata
Nem toda hora atrasa
Nem todo corpo casa
Qualquer pouca fé: Salva.

 

Para todos, Cáh Morandi

Crônica e Poesia

junho 7th, 2009 § 1 Comentário

Você já ouviu falar de Cáh Morandi??

Há pouco eu conheci seus textos e de cara me identifiquei. Eu não sei quem é ela, nem de onde escreve, por algo que já li em uma crônica acredito que ela seja formada em Administração. Mas o que me interessa mesmo agora são os escritos da moça.

O link pra site de crônicas dela está ali do lado em “ Cáh Morandi – Crônicas“” , mas ela escreve também boas poesias.

Pra conferir deixo aqui uma crônica, que encontrei no fim de Abril, mas deixei salva nos “preferidos” (favoritos), e hoje quando a reencontrei resolvi postar. Depois ainda tem duas poesias da moça Cáh Moradi::::

“não se afobe não que nada é pra já, o amor não tem pressa ele pode esperar em silêncio…”

(Título: Futuros amantes, Chico Buarque)

.

Talvez nunca mais se cruzem. Talvez ela mude de emprego, alugue um apartamento novo de frente para um pracinha com uma única árvore, comece a acordar às cinco da manhã, passe o café enquanto procura um par de meias, venda o carro, comece a pegar duas lotações para chegar no novo emprego, ache até bonito o uniforme, quem sabe canse no fim do dia, chegue atrasada no ponto de ônibus, não tenha o dinheiro para o táxi. Ele deve ter escolhido ficar em São Paulo, ou no Rio de Janeiro ou em Brasília, não importa aonde ele tenha ficado, talvez ele queira ganhar muito dinheiro, comprar um flat de frente para o mar, viajar para Dubai no próximo feriado, comprar um carro novo, pedir para alguém fazer seu café, ter uma sala só para ele no andar mais alto do prédio, sapatos de couro, meias bem alinhadas, talvez ele preferisse ternos mais claros, um cartão com limite mais alto. Eles não souberam quando começaram ou terminaram, se por algum momento a mágica do “nós” chegou a acontecer, se podia ser amor ter vontade de dividir uma pizza. Talvez ela quisesse somente uma companhia, alguém para chamar de “amor”, um par de meias novas no Natal e passear na pracinha que tem apenas uma árvore. Ele quis um apartamento maior, a estabilidade que pode ser superficialmente alcançada, um salário mais proveitoso. Nunca disseram adeus, nem até mais, nem qualquer outra coisa que desse possibilidade de um fim ou de um próximo encontro; terminavam as conversas com beijos, quando mais frios com abraços. Talvez ele a ame. Talvez ela quisesse saber disso. Por causa da mudez das emoções que sentiam, eles não sabiam que destino davam a si. O bonito deles é a coisa mais simples em suas histórias: de alguma forma silenciosa e cheia de esperança, eles esperavam um pelo outro, embora nenhum pedido tenha sido feito.

(Cáh Morandi)

aviso de chegada

Tenho vindo de longe
ao teu encontro
atravessei continentes
e terras que não tem nomes
comi um pouco de fome
tornei-me estrangeira
de mim mesma


Espera
estou quase no fim do caminho
me reserve para a chegada
um pouco dessa tua doçura
para que quando eu te beijar
o gosto amargo da distância
se dissolva como se nunca
tivesse existido

(…)

tentar chegar ao amor
é como reduzir da terceira para a segunda,
engrenar a marcha ré e pisar fundo,
é desacelerar, é querer voltar,
é desfazer as malas e voltar para casa,
é não perder o cheiro,
é não cobrir o corpo,
é não perder o tato,
é querer ficar,
é não abandonar as memórias…
tentar chegar ao amor:
pensar na primeira coisa
que deveria se esquecer.

(Cáh Morandi)

(Cáh Morandi)

Onde estou?

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